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quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Cataratas de sonhos - Parte III

Depois de ter visto aquilo tudo, tomei uma decisão. Iria fazer TODOS os passeios possíveis naquele lugar. Já vi que não aconteceria mais uma ida ao cassino e que mesmo assim voltaria com os bolsos pesados (de dívidas, é óbvio). Então assim, parti para o Parque Nacional Iguazú, no “lado argentino” das Cataratas.

Estava com medo de achar repetitivo, mas não. Eu vi as Cachoeiras por outro lado, ou melhor, por CIMA delas. Eu não conseguia ver o fundo das cataratas em meio às névoas eternas causadas pelo vapor d’água, mas conseguia sentir toda intensidade daquele rio descendo por água abaixo (literalmente).

As passarelas argentinas ainda possuíam histórias. Além de serem (beeeeem) mais compridas que as brasileiras, muitas delas já foram devastadas pelas enchentes do passado, sendo que algumas já chegaram a provocar mortes! Mucho Loco!

Aproveitando que já tinha conhecido aquelas águas, resolvi conhecer a origem delas: a Usina Binacional Itaipu. Eu já sabia que a construção daquela que já foi a maior usina hidrelétrica do mundo havia modificado completamente o curso das águas da região. Inclusive, há certo saudosismo com relação às Sete Quedas, que desapareceram com a tal usina. Não tem como dizer que a mudança foi horrível para a região, mas não dá para esquecer os estragos feitos na natureza local.

Apesar de tudo, a Itaipu tem um programa bastante inovador. Para começar, a usina é parte de um contrato que a divide entre o Brasil e o Paraguai. Tudo lá é dividido mesmo, inclusive os trabalhadores (50% são brasileiros e 50% são paraguaios), mas o mais curioso é que a região em volta da usina não pertence a NENHUM país. É como se fosse uma zona neutra e internacional. Outra curiosidade é que a cada trabalhador que é contratado lá, deve plantar uma árvore, com direito a plaquinha com nome e tudo mais. Muito show.

Chegando naquele monumento de concreto, podia escolher entre dois tipos de visita, a turística e a técnica. Eu iria fazer a técnica, mas soube que era extremamente profissional (e eu realmente passo longe da engenharia) e demorado, então fiquei com a turística, e não me arrependi. Passamos por cima, passamos por dentro e tudo mais. Tudo muito grande e incrivelmente calmo.

Aquelas águas paradas chegam a ser assustadoras. Mas o interessante da usina é o Canal da Piracema. É por lá que passam todas as espécies de animais marinhos, mostrando que a usina estava sim, se preocupando com a natureza local. Muito bom. O passeio valeu demais!

domingo, 8 de agosto de 2010

Cataratas de sonhos - Parte II

Depois, para fazer um passeio completo e especializado, contrato uma empresa pra me carregar e me explicar tudo. Como era fora de época de turismo, ficou uma Combi inteira a minha disposição e um guia particular. Bom demais. Primeiro passei no famoso parque de aves e realmente foi magnífico. O diferencial é que você entra na jaula onde se encontram. E elas são espaçosas e bastante arborizadas. O espetáculo foi exótico. Flamingos rosados se paquerando em espelhos (falava-se que os espelhos serviam para multiplicá-los e assim lhes dar mais segurança). Macucos andavam por todos os lados. Eles são donos dos ovos mais lindos do mundo. Tais ovos que eu NÃO vi em nenhum lugar, mas dizem que eles são de um roxo brilhante. Devem ser, né? Tucanos malditos comendo pedaços da minha bermuda. Araras lindas com aquelas garras que deixaram marcas eternas no meu braço. Cobras esguias e linguarudas rodopiando meu corpo. Foi realmente divertido. E um pouco assustador.
 
Depois de tantos animais, partimos para o grande objetivo da viagem, ver as famosas e ditas como as mais lindas cataratas do mundo: as Cataratas do Iguaçu. Chegando ao Parque Nacional do Iguaçu, percebi algo peculiar. O hotel resort das Cataratas fica lá dentro. Como assim? Uma hospedagem particular num território federal e Patrimônio Natural da UNESCO? Bem ou mal, o prédio ao menos era bonito e integrava bem com o local.
Vamos adiante. Começo a descer as longas passarelas e escadas no meio do mato e nada de água. Só o barulho bem ao fundo. Até que um quati começa a pular de um lado pro outro, em volta de mim. Se eu achava que não teria que lidar com mais nenhum animal, me enganei profundamente. Aquele bichano bonitinho se mostrou uma verdadeira peste enquanto tentava saquear minha mochila. E claro, o guia só rindo e tirando fotos. O que mais ele poderia fazer?
Mas graças ao pequeno mascote do parque, tive uma das imagens mais bonitas que já havia tido até o momento. Ao tentar puxar minha mochila pro chão, me agachei para me esquivar dele e assim pude ver pela primeira vez as cataratas, numa posição que nunca tinha visto em fotos. Era como se eu tivesse acabado de encontrar o Eldorado! Parecia intocável pelo homem, lindo e perfeito como deveria ser.

Chegando ao final das passarelas, estava completamente ensopado pelos respingos da cachoeira, surdo pelo som das forças das águas, tremendo pelo frio das águas e com os olhos brilhando diante tantos arco-íris que já tinha visto. Nem a Parada Gay tinha tantas cores juntas e misturadas.
E a quantidade de cachoeiras? É como se a água do mundo inteiro estivesse desembocando naquele lugar! Aquele barulho jamais sairá da minha memória. Nunca pensei que seria tão magnífico.