sábado, 5 de junho de 2010

Entrevista com o senador Cristovam Buarque

31/05/2010

Realizada por mim e pela Ana Paula Almeida no café dos senadores, dentro do plenário do Congresso Nacional.

O assunto principal era: Projetos educacionais modernistas propostos por Darcy Ribeiro e implementado na UnB.


Repórter - Darcy Ribeiro influenciou na sua vida profissional?

Cristovam - Muito. Eu acredito que entre as pessoas que fizeram a minha cabeça, tirando parentes, colegas, livros e diretores de cinema e de teatro, quatro foram muito influentes: Josué de castro, Darcy ribeiro, Celso furtado e Ignácio Sax, que foi o meu orientador em meu doutorado. Mas Darcy Ribeiro, de uma maneira muito especial, me influenciou na visão de universidade que tenho, que é muito diferente da que muitos tem por aí. Ele me influenciou na visão do Brasil como uma nação em busca de um futuro e, querendo construir pontes entre as nações-estados, ele me influenciou muito no respeito a outras culturas, nesta idéia de que não existe uma cultura superior a outra, respeitando índios e negros. Eu não tenho dúvidas que Darcy Ribeiro foi uma das influências mais marcantes na minha vida, no aspecto intelectual.



Repórter – O senhor concordava com os pensamentos idealistas de Darcy Ribeiro?

Cristovam - Eu não diria que ele é idealista se você for por definição. Idealista é aquele que pensa coisas que não tem contato com a realidade. Nas coisas de Darcy, havia muito contato com a realidade, a única diferença é que ele pensava à frente. Se há algum idealismo nele, se pensar corretamente, é o de ele ver na frente e não ver no presente. Neste sentido, ele era mais um utopista do que um idealista. A Universidade de Brasília é uma realização concreta, e não apenas ele fez, como também seu modelo de universidade começou a ser copiado em muitos lugares do Brasil e do mundo. Então, diria ele é um homem que via na frente, mas que não era desvinculado da realidade.



Repórter - O Darcy Ribeiro fez um discurso no dia da sua posse que era chamado “Universidade para quê?”. O senhor se recorda do dia? O que achou do texto?

Cristovam – Lembro... Eu até publiquei o discurso. Acredito que seja fundamental para todos. Começa no título. As pessoas não perguntam para que a universidade, perguntam apenas como fazer universidade. Como era óbvio que ela é necessária, ele mostrou porque ela é realmente necessária. Mostrou que é um lugar a onde a gente forma o pensamento superior. Ele mostra também como o ensino superior ajuda a formar a educação de ensino base, ajudar na economia, ajudar a sociedade e ajudar a cultura. Então ele mostrou para que a universidade e ao mostrar o para que, mostrou implicitamente o para não que a universidade. Como, por exemplo, ela é parte de uma elite intelectual. Hoje ela é uma elite para trabalhar para todos e não só para a própria elite, entende? A universidade é para quem hoje em dia a faz. Por exemplo, forma jornalistas que vão trabalhar apenas para reproduzir a mesma maneira de dar notícias. São muitos os que existem para descobrir escândalos da mesma forma que um garimpeiro descobre brilhantes.



Repórter – O senhor foi o primeiro reitor da UnB após a ditadura?

Cristovam – Sim.



Repórter – Havia algum projeto de educação de Darcy ribeiro implantado na UnB?

Cristovam – Sim. Veja bem, Darcy Ribeiro implantou vários projetos porque foi ele quem criou a universidade em 61. Só parou em 64. Aí houve uma interrupção que pudemos retomar em 85. Conseguimos retomar muitas coisas antigas e implantar muitas coisas novas, porque o mundo mudou muito neste período e mudou, ainda mais, nestes últimos 20 anos. Não recuperamos o desenho que ele tinha, sobretudo naquilo que eu chamei de “universidade na encruzilhada”, que não está no livro dele. A minha idéia é que a Universidade deve ser tridimensional, dividida por departamentos. Foi assim que o Darcy Ribeiro também pensou. A diferença é que defendo, também, que deve ser divididos por grupos temáticos, problemas, núcleo da fome, núcleo do Brasil, núcleo da energia. Esses núcleos são temas, profissões como engenharia, medicina e farmácia. Nesses mesmos núcleos você põe pessoas de profissões diferentes trabalhando nos mesmo temas. Eu por exemplo, agora eu dou aula não no departamento de economia, eu dou aula no núcleo de desenvolvimento sustentável que tem tanto pessoas de profissões bem diferentes como as de economia. Além disso, eu defendo que haja os núcleos culturais, como o núcleo dos poetas, dos tutores, dos músicos, etc. Na UnB tem um departamento de música com os profissionais da música e tem o núcleo cultural da música com os que tocam porque gostam de tocar. Nesse núcleo há engenheiros e médicos que tocam. Com isto cada pessoa pertenceria a vários núcleos. Essas pessoas podem ser representadas como um cubo. Isso eu implantei em 85, quando me tornei reitor. E está funcionando até os dias de hoje, mas foi abandonada. Não há uma manutenção, mas ainda existe um número muito grande de núcleos temáticos. Isto não estava na visão do Darcy Ribeiro, sendo uma contribuição completamente minha.



Repórter - Como o senhor avalia a UnB no momento em que se tornou reitor? E nos dias de hoje, acredita que ela evoluiu?
Cristovam - Veja bem, a UNB continua sendo uma grande universidade, mas hoje está numa crise profunda, como todas as outras universidades públicas. Creio que, por um lado, isso aconteceu porque a universidade pública não foi capaz e nem recebeu apoio suficiente para incorporar toda a demanda de jovens brasileiros que queriam entrar na universidade. A Universidade Brasileira ficou com o mesmo número de alunos durante décadas. Havendo uma pressão muito grande para criar vagas. A solução foi o surgimento dos cursos particulares que, por as Universidades continuarem a não aumentar suas vagas, cresceram ao longo do tempo. Nisso, a crise das Universidades aumentou, ainda mais por falta de dinheiro, e por conta de greves e mais greves, fortalecendo cada vez mais o ensino particular. O ensino particular surge da falta de vagas e se consolida com a insegurança de ser aluno das federais. A UnB está pagando um preço alto por isso.

Repórter - O engraçado é que as melhores faculdades do mundo são particulares e não públicas. Por que no Brasil é diferente?

Cristovam - No Brasil, o país tem uma minoria e uma maioria. O que é da maioria está abandonado e o que é da minoria está protegido. A Educação Pública é a abandonada, principalmente a educação de base, que é do povo. Criaram-se escolas particulares com educação de base. O estado dá subsídios para a Educação de base, descontado do imposto de renda. Quando foram criadas as universidades para o povo, ficaram sem vagas e aí tiveram que ir para as Universidades particulares, e esse é o maior problema. E da mesma forma que vale para a Universidade, vale pra saúde e vale pra tudo. Os outros países privilegiam a sua população em Geral.



Repórter - A ditadura Militar, além de interfirir no aumento de vagas, interferiu em mais alguma coisa?

Cristovam – A ditadura até aumentou o número de vagas, mas ela só expulsou quem não pensava como ela mesma. Então, perdemos muitos professores e alunos bons. Alguns foram embora de Brasília e outros foram assassinados, como o famoso caso do Honestino Guimarães, professor da UNB que desapareceu.



Outra repórter – a Ditadura, querendo ou não, parou com muita coisa; ela deu um freio em muitos pensamentos. Quando ela acabou, não só os alunos, mas o Brasil inteiro tinha aquela sede de mudança. Uma coisa muito nacionalista, muito intensa. Qual foi o desafio que o senhor teve ao assumir a reitoria? Pois o senhor tinha também que propor uma mudança...

Cristovam - O grande desafio a vencer era o corporativismo. É fato que, hoje, quando a universidade luta, luta por ela mesma e não pelo Brasil. Essa é a diferença do estudante de hoje para o estudante de antes. No meu tempo, a gente tinha varios ideais, queríamos lutar pela reforma agrária, pela independência e pelo desenvolvimento. Hoje, a universidade luta pelo salário.



Repórter - Hoje os jovens são desiludidos. Parece que as pessoas abandonaram todos esses ideais.

Cristovam - A culpa não é dos Jovens. A culpa é dos mais velhos que não formularam um ideal para que esta juventude acreditasse. Há também a desmoralização da política, que hoje fica restrita à corrupção e marketing. O Jovem cai na apatia ou na revolta, dos rebeldes sem calças.



Repórter - O senhor participou dos eventos e manifestações da UnB durante a ditadura?

Cristovam - Não, na ditadura eu não estava aqui, sou de Recife, me formei há muito tempo e morei nove anos fora do Brasil.



Repórter – Foi um exílio?

Cristovam - Não foi um exílio de ficar sem passaporte. Morei na França, onde fiz doutorado e depois fui trabalhar no Banco Interamericano. Depois morei no Equador, Honduras e nos Estados Unidos.



Repórter - Muito bem aproveitado este tempo, certo?

Cristovam - Sim, muito bem aproveitado. Não tenho o que reclamar desses nove anos. Depois eu resolvi voltar, não para Recife, mas para o que a gente chama de sul do país. Mas aí eu tinha um convite da Universidade do Rio de janeiro, da Universidade de Campinas e da Universidade de Brasília. Escolhi Brasília. Mas vim pensando em ficar dois anos e depois voltar para recife. Já fez trinta anos e ainda estou aqui.



Repórter – A sua posição política influenciou na sua gestão na UNB?

Cristovam - Claro. Agora se dissesse que isto me fez ficar optante lá, não. Dei apoio a todos. O que fosse bom professor teria o meu apoio, mas tenho uma visão própria do mundo e não poderia fugir disso. Por exemplo, a maioria era contra em abrir uma sede da UnB na Ceilândia, mas nós abrimos. Essa sede ainda tem curso universitário para extensão. Isso saiu também daquela idéia dos núcleos temáticos. Então é obvio que a minha visão política do mundo influenciou.



Repórter - Uma última pergunta. A visão de Darcy Ribeiro caberia na UnB hoje?

Cristovam - Exatamente igual não. As bases que Darcy Ribeiro tinha da universidade à serviço da população, da liberdade, sem preconceitos e multicultural cabem . Mas tivemos que adaptar. A UnB era uma Universidade muito nacional. Hoje não. Ela tem que ser internacionalizada. Ainda por conta da Internet. Agora, deixe eu me ir...

domingo, 11 de abril de 2010

A vitória encurta a queda

Quantas pessoas poderosas, ricas e famosas nós conhecemos e que se encontram em situações de extrema humilhação, as quais você jamais passaria? São maníacas ou doentes. Essas são as nossas respostas, que nos fazem virar a página e procurar a próxima celebridade para julgar. Mas essa não é a verdadeira resposta. Eles são humanos... Essa é a justificativa.

Ao atingir certo nível de beleza, você passa a não ser mais elogiado pelos próximos. Na verdade, seus menores detalhes começam a serem percebidos. E não só pelos outros, mas por você mesmo. Porque há tanto drama envolvido nessas pessoas de belezas estonteantes? É como se não soubessem aproveitar o maravilho corpo que poucos têm. Por que há tanta infelicidade no espelho que não cansa de dizer que você é belo?

Carreira e dinheiro estão sempre envolvidos. E não digo carreira somente profissional, mas sim naquela que chamamos de “status”. Mansões dignas de se transformarem em museus, vozes que balançam o mundo e inteligência que põem qualquer enciclopédia no chinelo. Por que a ganância sem fim, a busca pelo poder que se torna destrutivo (para si mesmo, inclusive)? Parece que todo o material que possuem não é o suficiente. Por que há tanto descontentamento diante do peso do ouro que você carrega?

A resposta é única. Porque todos são humanos. Quando as pessoas atingem certa excelência, a simpatia por elas diminui, sob a explicação que essas pessoas não necessitam dela. Mas a verdade é outra. Muitos dos que sobem ao máximo, querem mostrar ao mundo que são capazes fazer aquilo que querem. Mas é nesse momento que o sonho acaba. E o amor vai com ele. E ninguém vive sem os dois.

Sorria para todos, ouça os aplausos e deguste da felicidade dos outros em ter você um grande exemplo. E se contente com isso. Porque é só isso que você terá. Aguente a responsabilidade de que você é o melhor (ou, pelo menos, um dos melhores) e assuma essa posição. Você só verá o amor no espelho e a única coisa que te dará valor é a barra de ouro das suas mãos. E a esperança? Bem... Isso é para aqueles que a necessitam. E, provavelmente, essa esperança vai ser usada para o desejo das pessoas serem como você.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Tarde Demais

Esse foi um texto escrito por mim a dois anos atrás, em um momento de pura revolta. A tempos tento investir minha raiva em textos, mas apenas alguns são dignos de ser publicados. Esse eu gostei muito. Espero que gostem também.

Tarde Demais


Hoje foi uma terça como outra qualquer. Aula a manhã inteira, um almoço reforçado, uma boa caminhada com meu cachorro Ralph, uma malhada na academia e estudo mais no final da tarde. Apesar da normalidade, uma coisa me chamou atenção.

Estava eu dentro do Grande Circular, aquele ônibus que roda praticamente todo plano piloto, que pego todos os dias depois da aula, naquele solão e com um sono de derrubar um urso. Um homem idoso de pele morena, com poucos dentes, usando uma roupa simples, bem suja e desarrumada havia pedido para o motorista a permissão de entrar por trás (sem pagar a entrada) e assim poder fazer seu pedido de dinheiro ou oferecer algum objeto simples em troca de dinheiro ou passe. Com a minha boa leitura labial e curiosidade ao extremo, vi o motorista falando “Tudo bem, pode ir lá para trás.” com uma cara de nojo reprimida. O velho, em sua ingenuidade, começou a se dirigir pra trás por fora do ônibus, com um sorriso simples e desdentado, cheio de infelicidade e sofrimento. Nesse momento, o motorista dá uma arrancada no ônibus e parte, deixando o velho comendo poeira. Não se contentando com isso, ainda riu e disse “Dane-se esses velhos pidões.”.

Primeiro olhei para trás, vi aquele sorriso se desmanchando, formando uma expressão diferente, não de raiva ou ódio, mas de tristeza, de desesperança. Depois virei para frente com uma cara de indignado (o que muitos outros passageiros também fizeram) olhando para aquele motorista canalha e sem caráter. Novo, cheio de vida, um homem igual a mim, com 5 anos de diferença no máximo, agindo dessa forma com um idoso me fez refletir durante a essa viagem.

Por um momento, senti raiva de mim mesmo por nada ter feito por aquele homem de sorriso tão infeliz, mas percebi que não seria diferente. Alguma coisa deveria ter sido feita, mas antes. Aquele velho não podia estar numa situação dessas, destruindo sua honra, a qual trocaria até pelo trocado daquela balinha que uma pessoa esqueceu no bolso e não sente falta. Aquele motorista deveria ter aprendido não só a respeitar os próximos, mas sim ajudar os quando precisarem. E nós deveríamos ter aprendido a não ser passivos diante uma cena dessas.

Não vou falar que essa é a realidade brasileira. Essa é a realidade MUNDIAL. As pessoas precisam entender que nem tudo que foi aprendido antigamente deve ser jogado fora. Certos costumes e aprendizados devem ser mantidos ou até mesmo priorizados. Afinal, depois de jovem, da velhice não se escapa.

sábado, 20 de março de 2010

Juventude não se leva a sério

O que é ser jovem? É poder fazer tudo, mas não dever fazer nada. É ter que saber tudo, mas, no final das contas, não saber nada. É querer ter tudo, mas ter permissão de nada. O jovem não sabe o que é melhor para ele mesmo, não entende o mundo e não tem visão de futuro. É ser um mar de contradições. Contradições essas criadas pelos “adultos” e “maduros”. Tem que ser bonito, elegante e inteligente. Mas sabendo que beleza é o que menos importa, que o ideal é que você seja discreto (quase transparente) nas conversas e entender que os adultos sempre estão certos sobre os assuntos ditos como “cultos”.

Não importa quantos livros sobre a vida você leia e quantos filmes ou documentários você assista. A sua avó e aquela vizinha idosa que sabem qual é a realidade. Se prefere o cabelo arrepiado e acha que combina com amarelo, ótimo. Mas sua mãe sabe que cabelo de homem é para trás e o amarelo só se usa como pijama. Dados, estatísticas e pesquisas nada valem. Algumas vezes, é melhor que não se conheça muita coisa, você pode se tornar muito ousado. E ousadia não é elegante. Ousadia é coisa de menino “vagabundo”. Aquele que não tem o que reclamar, então tem que inventar algo.

Você sabe que a sua família é o caos, que todos se escondem, que a mascara do sorriso branco não é perfeita e que todos sabem disso, não importa. Você faz parte dessa família e tem o dever de carregar a mascara. Afinal, você não escolhe. É a que você tem e ‘ponto final’. Há ovelhas brancas e negras na família. Ninguém gosta da ovelha negra, mas todos a apóiam e dão toda a ajuda necessária. Se você é a ovelha branca, esqueça. Você não precisa de ajuda. Se rebelou? Coitado... Tá sozinho. Sim, família é pau para toda obra. Desde que você não faça nada de errado. Afinal, a culpa será sua. A família não pode se responsabilizar por você. Mas “sempre” conte com ela, pois se lembre do que eles sempre falam: amigos não duram, família sim. Ahã...

Quer trabalhar viajando ou ser artista e não quer casar e ter filho. Esse é o maior exemplo de jovem. Tá tudo errado. Esse trabalho é utopia. Coisa pra poucos. Para especiais. Faça um concurso e fique contente. Se der, você arranja uma horinha pra cuidar do seu sonho (que é uma grande besteira, ok?). Não quer casar? Ainda não se apaixonou. Vai aparecer uma menina e você vai babar por ela, esquecendo ‘tudinho’. Não quer ter filho? Não é você que vai decidir isso. Vai acontecer. Não adianta fugir disso. É a vida.

Religião? Há. Quando se é jovem, tudo é contestado e nada é aceito. Mas quando amadurecer, você vai perceber e sentir falta de Jesus no coração. Quando se é jovem, não precisa de Deus, porque acha que pode ter tudo. Mas quando envelhecer vai perceber que ele é a única coisa que importe. Não ligue para o que você acredite, você VAI mudar de idéia.

Seja o melhor de todos, mas saiba que sempre tem alguém melhor que você. Você acha que vai entrar no balé de Bolshoi ou concorrer ao Campeonato mundial de Karatê? Esqueça. Tem que ter o dom. A não ser que você SÓ faça isso. Se fizer, não pegue um livro ou procure saber de outra coisa. Não há tempo para pensar em besteira.

Salvar o mundo? Que piada. Ninguém consegue fazer isso. Gandhi, Hitler e Che Guevara não são seres humanos. Eles não existem, já que um ser humano não poder mudar o mundo, certo? Ganhe dinheiro e esqueça os pobres. Com o tempo tudo se resolve.

E por fim, você acha que o seu coraçãozinho tá quebrado por causa daquela menina? Pare de choradeira. Ela não é ninguém. Você é muito jovem para entender de amor. E não procure a fuga em drogas e bebidas. Você não sabe o que é ter problema de verdade.

Não concorda com nada que eu disse? Ah, esqueça. Você é muito jovem para isso.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Lead da Vida

Sou um carioca perdido em Brasília. Nascido em um berço de ouro a beira mar e crescendo na solidão que o asfalto brasiliense me causa. Tendo quatro irmãos, mas criado como filho único, aprendi a querer tudo e correr atrás do que posso. Meus pais eram como o preto e o branco, um era superprotetor e a outra superliberal. Como resultado disso tudo, me tornei um verdadeiro devaneador. E como um bom devaneador que saber escrever o que sente e pensa, me tornei um jornalista.


A primeira palavra que aprendi não foi “papai” ou “mamãe”, mas sim “mundo”. Amante da vida, as experiências me contam muito: voar de asa delta, fazer mergulho, viajar sozinho já foram prioridades atingidas. Absorver cultura sempre foi o meu objetivo, então livros e filmes sempre foram objetos principais na minha vida. O cinema pode ser a sétima arte, mas é a que vem em primeiro para mim. Dramas, comédias, terrores, clássicos, musicais e muitos outros estilos são de igual importância na minha coleção de filmes. De livros, já fui de clássicos como Odisséia de Homero aos mais queridos atuais como Marley e Eu de John Grogan. Já sai de livros essenciais como a Bíblia e entrei em livros importantes para a minha profissão, como Hiroshima de John Hersey.

O mundo, para mim, nunca foi grande demais. O Japão é logo ali e estamos no pé da Antártida. Toda cidade me é curiosa. Conheci várias capitais como Paris, Roma, Londres e Buenos Aires e todas me mostraram uma coisa em comum. Mostraram que eu preciso conhecê-las, entender como as pessoas lá vivem e como deixam de viver. Tenho sonhos e prioridades que me levam do Alasca ao Vietnã. Mas nenhum lugar me faz tremer de tanta vontade de conhecer como o Egito, que é meu objeto de curiosidade para mim desde que me entendo por gente. Com toda essa vontade e pressão interna por conhecer o mundo, me tornei facilmente adaptável e curioso por línguas e culturas diversificadas.

Então, Brasília é a base do meu vôo e o meu ar é a cultura. Minha casa de férias é a praia de Ipanema, e como um bom carioca (nomeação para quem nasce no Rio de Janeiro e também nomeação de um peixe da Baía de Guanabara), gosto de andar livre e à vontade, sair apenas para bater um papo e andar por locais desconhecidos. Sorrir é o mínimo e lágrimas de crocodilos me são dispensadas. A tristeza é usada para aprender e dizem que com o tempo, ela diminui (eu não entendi como fazer isso, se alguém puder, me explique). E como uma boa frase clichê me chama atenção, passo a todos esse conselho: Carpe Diem.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Banalização do futuro

Sexo, vida, gueixas, sultões, crenças, monalisa, música, macumba e samurais. Qual é a semelhança entre eles e de muitos outros que podem formar uma longa lista juntos? Todos foram banalizados. Banalizar é tornar algo banal ou rotineiro, mas é sabido que essa palavra, erroneamente, significa muito mais. Significa se tornar em objeto sem valor ou em um ato indigno de respeito. Apenas por ser rotineiro é sem valor? Acredito que não.

Muitas pessoas insistem que a sociedade de hoje não dá mais valor às coisas como antigamente. Pode ser, mas isso não indica que antigamente era melhor. O processo de banalização surgiu por causa da sociedade de informação. Quando mistérios, sejam eles sagrados ou não, caíram por terra, muitos começaram a criticar e se tornar críticos. Com isso, pessoas com mentes mais conservadoras estão se tornando em vilãs e não é para menos. O maior problema delas está  em não saber enxergar mais adiante. Se ampliarem a mente e entenderem porque algo se torna banalizado, verão que não isso é ruim. O desconhecido gera medo e repulsa, mas em um mundo onde conhecimento é poder (frase clichê, porém verdadeira), aquele que menos enxerga a realidade fica para trás. Então aspectos morais e sagrados acabam se tornando conservadores por impedir o avanço do conhecimento em suas áreas. Experimentar e ousar se torna uma parte importante do conhecimento.

A religião não era questionada e sim temida, funcionava mais. Mundos exóticos e diferentes não sobreviveram, ou estão morrendo, com a ocidentalização. Falar sobre os crimes que acontecem diariamente se tornaram menos relevantes do que o caso extraconjugal da vizinha ao lado. Muito ruim, certo?

As obras de arte são acessíveis para todas as pessoas de uma forma ou outra, mesmo aquelas que nunca nem sonharam em vê-las em vida. As explorações acontecem com menos facilidade, já que a “banalização” da lei trouxe direito maior a mulheres, negros, idosos e outras minorias. As pessoas têm mais liberdade para escolher o seu parceiro e o tempo que quer permanecer com o tal. Muito bom, certo?

Então como dizer que a banalização é algo ruim? Ao invés de tentar retroceder no tempo para que os novos problemas sumam, porque não arrumá-los usando o novo mundo de hoje? Falta preparação, aceitação e otimismo. Isso a nova sociedade não está formando com eficiência. E esse é um problema que as pessoas têm capacidade de solucionar. Criar um mundo melhor no lugar de banalizar um futuro que ainda não aconteceu é mais viável. Acredite nisso.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Mundo de Gelatina

O século XXI começou e já está pegando fogo. Literalmente. Guerras, descobertas e tecnologias são assuntos para serem discutidos entre um cochilo e outro. Com a grande velocidade e quantidade de mudanças, informações e opções, os jovens da nova geração acabaram por se transformar.

A palavra "adaptação" perdeu seu sentido completo. Num mundo onde tudo se renova rapidamente, quem ficar parado, fica pra trás e dificilmente consegue um espaço. Os jovens não se adaptam à uma nova realidade, eles simplesmente aderem a ela. Para que haja equilíbrio, essas mudanças devem vir com uma crítica. Se a crítica for boa, vale aderir a essa nova mudança. Com toda essa velocidade, essa crítica não é feita regularmente, levando muitos jovens ao arrependimento. Perceba como o índice de suicídio, depressão e estresse aumentam gradativamente entre os jovens. Um exemplo leve: você compra um celular de ponta que possui os recursos que te agradam. Em três meses é lançado um novo aparelho com mais recursos ainda. A partir desse ponto você já está pra trás, e se tiver como, obterá esse novo aparelho. Após de obtê-lo, você poderá descobrir que a tecnologia não é viável (ex: vídeochamada), encarece sua conta (ex: internet de alta velocidade - 3G) e torna seu celular fisicamente mais frágil (ex:touchscreen). Sem a crítica, muitas vezes estamos despreparados para lidar com as consequências.

O que me deixa mais apreensivo é a incerteza do futuro. Veja nas profissões: com a tecnologia avançando rapidamente, não sabemos quais carreiras podem ganhar ou perder com isso. As máquinas podem substituir engenheiros, médicos e advogados? Os jornais vão desaparecer? O cinema vai ser totalmente digitalizado? Não tenho a resposta para essas perguntas, mas todos os dias me lembram delas.

Para mim, o mais importante é reconhecer que o mundo se transformou em uma imensa gelatina. Não há certezas. O mal de hoje pode vir a ser bom amanhã, ou vice-versa. Há um grande leque de opções de carreiras e esse mesmo leque pode vir a diminuir ou até mesmo sumir com o avanço de tecnologias. O petróleo enriquece o mundo ao mesmo passo que ele o polui. Sem contar que ele vai acabar. O gelo está derretendo e cidades costeiras estão em pânico. Os maias achavam que em 2012 o mundo vai acabar. Arranjaram muitos motivos para destruir o nosso futuro, mas e os motivos para construí-los? Se aprendemos a lidar com o fato de que vamos morrer um dia, podemos lidar com o fato que o planeta acabará um dia, então fé em Deus e pé na tábua!

Por fim, é importante entender uma coisa: não evite o sofrimento, busque o prazer. Faça aquilo que gostas. Concursados têm mais segurança e médicos têm status, mas nada adianta se todos os dias você acordar achando que isso não passa de uma dor de cabeça diária. Liberdade financeira trás felicidade sim, mas a liberdade psicológica é incomparável.

Num mundo de gelatina não há em que se apoiar e se não aprender a se equilibrar nele, você pode escorregar. E se escorregar... Boa sorte.